Ascensão de um Deus

995 - Desespero

Autor: Calebe Piccoli Camargo

Le Chang andou até a base da pirâmide e notou que havia uma escadaria em direção ao subsolo.

Ele rapidamente começou a descer seus degraus, pois, ele tinha urgência em descobrir os segredos que ali imperavam, bem como fortalecer seu poder.

Tendo atingido o Ápice do Dao do Falso Deus, sua força já era interessante, caso ele encontrasse com aquele Nefilim novamente, provavelmente seria capaz de ao menos escapar sem ferimentos graves.

No entanto, para realmente lutar, ele precisaria estar no Dao do Verdadeiro Deus, além disso, se ele realmente conseguisse fazer isso nos próximos dias, ele seria, de longe, a pessoa mais rápida a elevar seu poder no Dao Divino.

De qualquer forma, Le Chang percebeu que as paredes ao seu lado eram repletas de figuras, tendo sido esculpidas diretamente nas pedras que compunham aquela grande pirâmide.

As imagens representavam combates entre grandes exércitos, como se fosse um livro escrito na pedra, contanto a história de uma antiga civilização.

Le Chang estava absorto admirando tais imagens, elas eram repletas de detalhes e com um certo toque de delicadeza e sabedoria, claramente não havia sido um Deus qualquer que havia esculpido aquelas imagens.

Todavia ele rapidamente foi retirado de seus devaneios ao deparar-se com uma parede de pedra à sua frente, como se a escadaria não levasse a lugar nenhum, sendo apenas um caminho sem saída.

No entanto, ele não era tolo e ao ativar seus Olhos Divinos, foi capaz de perceber alguns detalhes que se destacavam, ou seja, era uma porta oculta, a qual ele abriu ao enviar um pouco de sua energia a um ponto específico da parede de pedra.

Rapidamente a parede cedeu e revelou a continuação da escadaria que se estendeu por mais quase duas milhas em direção ao subsolo.

Ao final, uma outra porta o esperava, mas essa era de madeira.

Le Chang a abriu da mesma forma, enviando um pouco de sua Energia.

No entanto, claramente ele não estava esperando por aquilo que viu diante de si.

Era uma grande sala, seu teto tinha cerca de dez milhas de altura, claramente o espaço havia sido deformado no lugar, sendo na realidade outra dimensão espacial.

Além disso, no centro, havia uma parte mais elevada do solo, de formato circular, com um raio de quase três milhas e, sobre ele, um ser gigantesco jazia deitado.

Era um lobo, suas unhas eram tão grandes que empalariam dezenas de seres humanos facilmente e o poder que aquele lobo continha era simplesmente colossal.

Le Chang podia sentir uma pressão absurda apenas por estar no mesmo recinto que aquele ser, com seu atual poder ele podia facilmente dizer que a força daquele ser estava no Começo do Dao do Eterno Deus.

Ele pensou em várias possibilidades, poderia tentar voltar pelo caminho que havia vindo ou tentar ir em frente e ver se a sorte estava ao seu lado.

Aquele lobo gigantesco, maior que uma montanha, estava claramente dormindo em um profundo sono.

Le Chang sabia que não podia recuar, ele precisava seguir em frente, ele era o futuro Deus dos Deuses, recuar não era uma opção.

E assim que ele chegou a pouco mais de mil metros do ser, lentamente o lobo começou a acordar, abrindo seus olhos e ao fazer Le Chang estremeceu, pois entendeu que aquele ser não era meramente um lobo poderoso.

Ele foi capaz de sentir uma Força Primordial dentro daquele animal e era uma bem poderosa, a dúvida que ficava era se era uma Força aliada ou inimiga.

“Hm?...” Uma voz apareceu por todos os cantos do recinto e retumbou nos ouvidos de Le Chang.

“O... Oi...” – Le Chang.

“Oh!...” O lobo brilhou intensamente e mudou de forma, agora era um jovem rapaz, com cerca de vinte e poucos anos, vestindo um manto cinza e com olhos astutos.

Le Chang observava com uma clara apreensão em seu coração.

“Quem diria que a Energia Dourada viria até mim de tão bom grado...” Um sorriso levemente maligno apareceu nos lábios daquele jovem, de cabelos brancos e olhos amarelos.

“Quem é você?...” Le Chang não demonstrou, mas em um instante havia preparado dezenas de contramedidas caso precisasse escapar do local.

“Eu?... A Energia Dourada não lhe contou muito, certo?...” O jovem riu debochadamente.

Le Chang sentia o olhar daquele ser o estudando, escaneando cada parte de seu corpo, como se estivesse esperando pelo menor sinal de movimento para o atacar e lhe destruir.

“Eu sou uma Força Primordial garoto, eu sou chamado de Desespero...” O jovem riu e seu rosto pareceu deformar-se, como se estivesse possuído por um demônio.

Assim que ele disse tais palavras, no instante seguinte ele apareceu diante de Le Chang, olhando para ele bem de perto.

“Eu gostaria muito de lhe destruir, queria muito ver a cara do Detentor da Energia Dourada revirando-se em desespero...” Ele passou suas pontiagudas unhas no rosto de Le Chang, como se estivesse segurando-se para não rasgar seu pescoço.

Até ali Le Chang já era mais do que capaz de entender que era um inimigo a sua frente.

“O... O que você... O que você está fazendo aqui?...” – Le Chang.

“Hm? Aqui?...” Murmurou Desespero.

“Sim, nos Cemitério dos Deuses...” – Le Chang.

“Ah! Você quer dizer os Coletores de Almas?...” Riu Desespero de forma animada.

Le Chang engoliu seco, claramente ele podia sentir que estava em apuros.

“Veja bem, eu vivo do Desespero, seja dos Mortais, Deuses, Forças Primordiais ou Antigos. Eu me alimentei muito do desespero da Criadora quando viu seus aliados sendo mortos...” Ele parou sua fala quando sentiu o ar ao seu derredor estremecer, o que o fez olhar em direção aos olhos de Le Chang e perceber que lá no fundo, refletia a Árvore da Divina Esperança.

Desespero apenas riu de forma debochada.

“Parece que os cacos dos aliados da Criadora estão com você... Que interessante...” – Desespero.

“O que você quer?...” – Le Chang.

“Eu construí a Floresta do Fim das Eras, garoto. Até mesmo chamei os Nefilins para ficarem aqui, afinal, toda vez que eles atacam de forma sanguinária, eu sou capaz de absorver grandes quantidades de desespero...” – Desespero.

Le Chang perguntava-se como tudo havia escalado de forma tão rápida e intensa.

Ele pensava que teria que passar por vários desafios e afins para chegar no cerne daquele local, mas em poucos minutos após adentrar o Cemitério dos Deuses ele já estava cara a cara com uma Força Primordial inimiga.

Parece que a sua sorte no Reino Divino havia sumido.

“O que vocês chamam de Cemitério dos Deuses nada mais é que doces armadilhas para caçar algumas mosquinhas. Eu me divirto muito em ver elas sendo esmagadas pelas minhas barreiras, é engraçado ver seus ossos sendo moídos e os gritos se espalhando pelo solo...” – Desespero.

“Mas...” – Le Chang.

“Oh! Você fez um dos meus Coletores de Almas desaparecer, certo?...” – Desespero.

Le Chang nada respondeu.

“Alguns dos meus Coletores de Almas tornaram-se refúgios para alguns Antigos, os únicos capazes de resistir totalmente aos perigos que eu coloquei no interior dessas formações para levar os que ousam adentrar nelas ao total desespero, é divertido...” – Desespero.

As coisas no Reino Divino não eram divertidas, eram caóticas, o mal espreitava em todos os cantos e os perigos eram muitos, a questão era se Le Chang seria capaz de sobreviver a uma Força Primordial inimiga?

Ainda mais uma que se chamava Desespero, o nome já dizia muito da personalidade daquela Força Primordial.




O site Central de Mangás é gratuito e sempre será!

Para colaborar com a existencia do site, por favor,
desative o bloqueador de anúncios.