Ascensão de um Deus

1002 - Que inútil!

Autor: Calebe Piccoli Camargo

Enquanto isso, muito longe dali, no Céu Supremo.

Raug Dab estava dentro de uma sala escura, onde a luz das estrelas não parecia ser bem-vinda.

Ele estava diferente, sua aparência era mórbida e moribunda.

Era como se a qualquer instante ele fosse cair morto, sem nunca mais o brilho da vida dançar em seu olhar.

Raug Dab segurava o que havia sobrado de seu braço esquerdo.

Uma atadura jazia enrolada na ferida, a qual jamais seria curada, fazendo com que a atadura lentamente se encharca-se com o seu sangue.

Sua pele pálida deixava claro que ele não estava bem.

A sala era iluminada pela fraca luz de velas já pela metade, dispostas por todos os lados, como se ele tivesse a esperança de que suas chamas o aqueceriam, mesmo que por apenas um instante.

A sua frente havia um tapete e ao seu lado uma lareira emitia o som das madeiras sendo açoitadas pelas chamas.

O local havia sido tomado com uma frieza singular, apesar de lá fora o sol estar a brilhar.

Porém, ele não estava sozinho, em um grande sofá a sua frente haviam algumas pessoas ali sentadas.

Uma mulher de idade avançada, um rapaz jovial e com todo o esplendor de juventude, um homem e uma mulher de meia idade também se faziam presentes.

“S... Senhor Raug Dab, eu o trouxe como me pediu...” A mulher de meia idade falou, fazendo suas palavras soarem mais altas que o som do açoite das chamas nas madeiras.

Raug Dab lentamente moveu sua cabeça, analisando o jovem de cima abaixo.

Ele tinha cabelos dourados, pele alva como a neve, olhos azuis e brilhantes, repletos de vida.

Aquele rapaz estava no começo do Dao do Falso Deus.

Sua presença era digna de respeito, seu porte atlético e postura de guerreiro, o fazia ser a imagem idealizada de um herói divino.

Porém, ele estava longe da santidade e pureza que dançavam em sua face, afinal, sendo parte da Ordem do Fim já o fazia suficientemente pecador por toda a sua vida.

“De fato... De fato...” – Raug Dab.

“S... Senhor Raug Dab, eu... eu tenho certeza que meu filho atenderá suas expectativas...” O homem de meia idade pronunciou-se, claramente havia um certo temor em suas palavras, mascarado pelo falso respeito com o qual ele enfeitava suas palavras.

“Qual o seu nome?...” A voz de Raug Dab era rouca e debilitada, apesar de tudo, ele ainda era um poderoso Deus que mesmo com seu frágil estado, ainda era capaz de erradicar todos dentro do Reino Supremo Mortal.

Um Deus ferido, ainda é um Deus.

“E... Eu sou Duke Vamp...” O rapaz falou tentando fingir uma calma que claramente não lhe pertencia.

Seu orgulho não o deixava gritar de medo, mas ele estava apavorado na presença de Raug Dab.

Ele sabia das histórias, quantos peões da Ordem do Fim foram desmembrados lentamente nas mãos desse pesquisador ensandecido.

“A... Cof! Cof!... Aproxime-se...” – Raug Dab.

Duke Vamp claramente estava relutante.

“Vá, não deixe o Mestre esperando...” A idosa falou com um olhar sério e intimidador para o seu neto.

Após julgar seu neto com seus olhos azuis e cheios de maldade, ela voltou seu olhar para seu filho, como se estivesse lhe dizendo que havia falhado na educação do garoto.

“Venha... Cof! Cof!...” Raug Dab moveu sua mão e sinalizou para que ele ficasse alguns passos à sua frente.

O rapaz claramente percebeu que quanto mais perto ele chegava dele, mais frio o ambiente ficava.

“Vo... Você, quer... Quer... Cof! Cof! S... Ser forte?...” Raug Dab indagou ao rapaz com uma certa curiosidade e ansiedade em sua face.

“Eu quero!” Duke Vamp falou com certeza, afinal, nada era maior que a sua sede por poder, nem mesmo o terror que estava a sua frente.

“Ajoelhe-se...” – Raug Dab.

Duke Vamp aos poucos deixou seus joelhos tocarem o tapete sob os seus pés, que pareciam não estar sendo capazes de cumprir seu papel de manter o chão gelado longe dos que ali transitavam.

Raug Dab moveu sua mão, a única que lhe restava, e ao fazer ele invocou uma espada, sua lâmina e o cabo eram negros, como se tivessem sido feitos com pedaços do espaço profundo.

A espada flutuava alguns centímetros a frente de Duke Vamp.

“Pe... Pegue... Se for... Se for seu destino ser poderoso... Cof! Cof!... Você será...” – Raug Dab.

Duke Vamp levou sua mão até a metade do caminho até a arma e parou, relutante olhou para trás em busca de conforto nos olhos de seu pai e de sua mãe, mas, parecia que ambos estavam dominados pelo temor de estarem diante de Raug Dab, não havia conforto para ele, apenas medo.

“D... Cof! Cof! Depende... Depende de você... Não de seus pais...” Raug Dab falou com um certo desprezo.

Duke Vamp voltou seu olhar para a arma e lentamente voltou a mover sua mão esquerda até o punho da espada de dois gumes que flutuava a sua frente.

Ela emitia uma aura maligna, fria e cheia de poder.

O rapaz respirou fundo e com o seu desejo por poder, ignorou todos os seus temores e pegou no cabo da espada.

“AAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!” O rapaz gritou desesperado.

A espada foi tomada por chamas negras que fizeram a frieza do recinto cair ainda mais e uma aura maligna tomou conta do lugar, as chamas das velas minguaram e era como se o próprio mal estivesse naquele lugar.

O rapaz gritava desesperado, sua mãe e seu pai apavorados com o que ocorria, ergueram-se de seus assentos e correram em direção ao filho.

“Não interfiram!” Raug Dab gritou e uma Aura maligna foi expelida de seu corpo, sua presença era tão poderosa que fez o casal ser jogado novamente no sofá, tomados pelo medo.

“AAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!” Duke Vamp gritava de dor e lentamente as chamas negras saíram da arma e tomaram o seu corpo.

O rapaz lentamente era consumido pelas chamas negras, sua pele derretia e sua carne congelava, seus ossos amoleciam e seus nervos esfriavam.

Aquelas chamas eram capazes de queimar e congelar.

E então, em alguns instantes, Duke Vamp, foi destruído pelas chamas negras da Espada do Fim.

Não restou nada de seu corpo, apenas a arma que flutuava no mesmo lugar, como se nada tivesse acontecido.

“Tsc... Que inútil...” Raug Dab claramente estava decepcionado.

“Meu... Meu filho!” O homem e a mulher colocaram-se de pé e suas faces revelava um profundo ódio em relação a Raug Dab.

E então, sem eles nem mesmo perceberem, a luz em seus olhos apagou-se.

A cabeça de ambos caiu e rolou pelo chão gélido, sangue morno verteu de seus pescoços e olhares incrédulos jaziam em suas cabeças sobre o tapete, agora encharcado de sangue.

“Estou decepcionado com você...” Raug Dab virou sua face em direção a mulher idosa que jazia de pé, sua mão ainda tinha resquícios de sangue.

Ela havia decapitado seu filho e sua nora, sem nem mesmo pestanejar.

“D... Desculpe Mestre, eu espero que a vida desses insolentes seja o suficiente para pagar pela minha incompetência...” A idosa curvou sua cabeça em reverência a Raug Dab.

Ele a olhava com um olhar inquisidor.

“Não importa... Cof! Cof! Apenas... Cof! Cof! Vá procurar pelo próximo candidato...” – Raug Dab.

“S... Sim mestre...” Ela então curvou-se e levou suas mãos até os corpos que jaziam a sua frente.

“Não precisa... Pode deixar aí, será ótimo ter ingredientes frescos...” O olhar maligno de Raug Dab surgiu em sua face e um sorriso macabro dançou em seus lábios.

E assim a idosa saiu, deixando para trás o cadáver de seu filho e de sua nora para serem usados em experimentos do mais poderoso e maligno pesquisador da Ordem do Fim.




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